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Educação financeira para empresários: sua empresa vende, mas o dinheiro sobra?

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Educação financeira para empresários: sua empresa vende, mas o dinheiro sobra?

É muito comum conversar com empresários que dizem:

“Minha empresa vende bem, mas eu não vejo o dinheiro.”

Esse talvez seja um dos problemas financeiros mais comuns das pequenas empresas.

O empresário trabalha, compra mercadoria, vende, paga funcionários, fornecedores, impostos, cartão, empréstimos e despesas. O faturamento cresce. A movimentação bancária aumenta. Mas, quando chega ao final do mês, surge a pergunta:

Onde foi parar o dinheiro?

A resposta normalmente não está somente nas vendas. Está na gestão financeira.

Faturamento não é lucro. E lucro não é caixa.

Esse é um dos primeiros conceitos que todo empresário precisa dominar.

Imagine uma pequena empresa que faturou R$ 100 mil no mês. Isso não significa que o empresário ganhou R$ 100 mil.

Desse faturamento ainda poderão sair mercadorias, salários, aluguel, impostos, taxas de cartão, fretes, despesas administrativas, juros e diversas outras obrigações.

Depois dessas despesas, podemos chegar ao lucro.

Mas existe outro detalhe: mesmo uma empresa lucrativa pode ficar sem dinheiro.

Se ela vende R$ 100 mil, mas grande parte das vendas será recebida em 30, 60 ou 90 dias, enquanto fornecedores, salários e impostos precisam ser pagos agora, existe um descasamento financeiro.

É por isso que o empresário precisa acompanhar pelo menos três números diferentes: faturamento, lucro e geração de caixa.

1. Fluxo de caixa é o oxigênio da empresa

Uma empresa pode sobreviver algum tempo com margem baixa. Mas dificilmente sobrevive muito tempo sem caixa.

O fluxo de caixa precisa mostrar claramente:

Saldo inicial + entradas – saídas = saldo final.

E não basta saber quanto existe na conta bancária hoje. O empresário precisa enxergar o que acontecerá amanhã.

Por isso, recomendamos trabalhar com projeções de pelo menos 30, 60 e 90 dias.

Se você já sabe que daqui a 45 dias haverá uma concentração de impostos, fornecedores ou parcelas de empréstimos, consegue agir antes.

Gestão financeira é justamente isso: tomar decisões antes que o problema aconteça.

2. Conheça o custo verdadeiro do seu negócio

Outro erro frequente é definir preços olhando apenas para o custo de compra da mercadoria.

Se determinado produto custa R$ 50 e é vendido por R$ 100, não significa automaticamente que houve R$ 50 de lucro.

Existem impostos, comissão, cartão, frete, embalagem, perdas e toda a estrutura necessária para manter a empresa funcionando.

Portanto, antes de comemorar a margem de uma venda, pergunte:

“Depois de pagar tudo, quanto realmente fica para a empresa?”

Essa pergunta muda completamente a maneira de administrar um negócio.

3. Não confunda dinheiro da empresa com dinheiro do empresário

Principalmente nas pequenas empresas, existe uma tendência perigosa de tratar a conta bancária empresarial como extensão da conta pessoal.

Entrou dinheiro? O proprietário retira.

Precisou pagar uma despesa pessoal? Usa a conta da empresa.

Depois de algum tempo ninguém consegue determinar se a empresa realmente é lucrativa.

A solução é relativamente simples: estabelecer pró-labore, distribuição de resultados e regras claras para retiradas.

O empresário é proprietário da empresa, mas o caixa da empresa não é sua carteira pessoal.

4. Preço não pode ser definido apenas olhando o concorrente

“Meu concorrente vende por R$ 90, então vou vender por R$ 85.”

Essa decisão pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, destruir a rentabilidade.

Cada empresa possui estrutura de custos, volume, tributação, prazo de compra e necessidade de capital diferentes.

O preço precisa considerar custo, despesas, impostos, margem desejada, condições de pagamento e posicionamento comercial.

Depois disso, o mercado mostrará se aquele modelo de negócio é competitivo.

5. Capital de giro também custa dinheiro

Quando uma empresa compra à vista e vende parcelado, alguém precisa financiar esse intervalo.

Normalmente é o próprio caixa da empresa.

Quando ele acaba, entram cheque especial, antecipação de recebíveis, empréstimos ou outras modalidades de crédito.

Crédito empresarial não é necessariamente ruim. O problema começa quando a empresa utiliza dinheiro caro simplesmente porque não planejou seu capital de giro.

Antes de contratar crédito, o empresário deveria responder três perguntas:

Quanto preciso? Por quanto tempo? E qual retorno esse dinheiro produzirá?

Se essas respostas não estiverem claras, provavelmente a decisão ainda precisa ser analisada.

6. Estoque também é dinheiro

Existe outro lugar onde muito dinheiro das pequenas empresas fica escondido: nas prateleiras.

Estoque excessivo significa capital parado.

Uma empresa pode possuir R$ 300 mil em mercadorias e apenas R$ 10 mil disponíveis no banco.

Patrimonialmente ela possui recursos. Financeiramente pode estar pressionada.

Por isso é fundamental acompanhar giro de estoque, produtos parados, margem por produto e necessidade real de reposição.

Comprar bem não significa comprar muito.

7. O empresário precisa criar uma rotina financeira

Não é necessário transformar o pequeno empresário em contador ou especialista financeiro.

Mas ele precisa conhecer os números que determinam o futuro do próprio negócio.

Uma boa rotina começa acompanhando faturamento, margem bruta, despesas, lucro operacional, contas a receber, contas a pagar, estoque, endividamento e disponibilidade de caixa.

O ideal é transformar essas informações em indicadores simples e compará-los mês a mês.

Assim, os números deixam de contar apenas o que aconteceu no passado e passam a ajudar na tomada de decisão.

Uma pequena mudança de mentalidade

Talvez a principal lição da psicologia financeira aplicada às empresas seja entender que decisões financeiras não são tomadas apenas com uma calculadora.

Ansiedade, excesso de confiança, medo, impulso e expectativa também influenciam decisões empresariais.

Comprar estoque demais porque “vai vender”, assumir uma parcela porque “mês que vem melhora”, reduzir preços porque o concorrente reduziu ou retirar dinheiro da empresa porque existe saldo bancário são decisões financeiras influenciadas pelo comportamento.

A calculadora ajuda a encontrar o número.

A gestão ajuda a decidir o que fazer com ele.

Para guardar

Uma empresa saudável não é necessariamente aquela que mais vende. É aquela que conhece seus números, protege seu caixa, gera lucro e consegue crescer de maneira sustentável.

Empreender é transformar ideias, trabalho e conhecimento em valor. Administrar financeiramente é garantir que uma parte desse valor permaneça dentro da empresa e financie o próximo estágio de crescimento.

Conhecimento gera clareza.
Clareza melhora decisões.
E boas decisões financeiras constroem empresas mais fortes.

OOS & RBS Consultoria e Cobrança
Gestão | BPO Financeiro | Consultoria Financeira

 

 

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